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Os votos de casamento tradicionais são o juramento em que cada noivo recebe o outro e promete fidelidade “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da minha vida”. A redação muda um pouco entre a cerimônia católica, a evangélica e a sem religião, e dá para unir a fórmula tradicional com votos pessoais na mesma cerimônia.
Os votos de casamento tradicionais são aquelas palavras que quase todo mundo sabe de cor, mesmo sem nunca ter casado: "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza".
Elas fazem parte dos compromissos que assumimos no altar. Mas o que poucas pessoas param para refletir é que essas palavras pavimentam o caminho sobre o qual o casal vai trilhar. Não são enfeite de cerimônia. São uma antecipação do que de fato vai acontecer.
Qual é o juramento de casamento tradicional?
O juramento de casamento tradicional é a promessa em que cada noivo recebe o outro como esposo ou esposa e se compromete com fidelidade, amor e respeito em todas as circunstâncias da vida. A fórmula mais usada no Brasil é esta:
Eu, [nome], te recebo, [nome], como minha esposa (meu esposo), e prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da minha vida.
Existem variações. Algumas acrescentam "na riqueza e na pobreza"; outras trocam o fecho por "até que a morte nos separe". A versão que aparece nos filmes, em inglês, tem raiz num livro de orações da Igreja Anglicana do século XVI, e foi dali que o "até que a morte nos separe" se popularizou.
O que não muda é a estrutura: eu te recebo, eu prometo, em todas as circunstâncias, pela vida inteira.
O que significa "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença"?
"Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença" significa que a promessa vale nos dois lados da vida, e não só nos dias bons. O casamento é uma alternância: há momentos alegres, intensos e muito felizes, e há momentos marcados por lágrimas, dores e sofrimento.
Quando o casal diz essas palavras, está olhando para a jornada que tem pela frente. De modo inevitável, os dois vão adoecer em algum momento. Os dois vão passar por fases dificílimas. E é exatamente aí que os votos deixam de ser parte de um discurso bonito, palavras ditas ao vento, e passam a orientar a caminhada.
Eu costumo dizer aos noivos: quando estiverem no altar fazendo os seus votos, lembrem que essas palavras vão servir como uma âncora. Elas são para o dia em que a vida apertar.
Votos de casamento tradicionais em cada tipo de cerimônia
Os votos tradicionais têm a mesma estrutura em qualquer cerimônia; o que muda é a presença de Deus no texto e quem define a redação. Veja as três versões lado a lado:
| Cerimônia | Quem define a redação | O que costuma mudar |
|---|---|---|
| Católica (na igreja) | A paróquia, seguindo o ritual da Igreja | Fórmula fixa, conduzida pelo padre ou diácono |
| Evangélica | O pastor ou a igreja | Menção a Deus e às testemunhas; mais liberdade de texto |
| Sem religião ou ecumênica | O casal com o celebrante | Sem menção religiosa, ou com uma menção que respeite todas as crenças |
Votos católicos
Na cerimônia católica feita na igreja, a fórmula dos votos segue o ritual da Igreja e é conduzida pelo padre ou pelo diácono; quem confirma a redação exata é a paróquia. O texto que os noivos repetem costuma ser muito próximo deste:
Eu, [nome], te recebo, [nome], por minha esposa (meu esposo) e te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.
Quando uma família católica escolhe uma cerimônia com celebrante, fora da igreja, muitas vezes quer manter essas palavras. Nesse caso a fórmula pode entrar como é conhecida, porque ela faz parte da memória da família.
Votos evangélicos
Nas cerimônias evangélicas não existe uma fórmula única: cada igreja e cada pastor tem a sua. Uma versão muito usada é esta:
Eu, [nome], diante de Deus e destas testemunhas, te recebo, [nome], como minha esposa (meu esposo). Prometo amar-te, honrar-te e cuidar de ti, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, sendo fiel a ti enquanto vivermos.
Como sou pastor ordenado, celebro cerimônias evangélicas e ajusto a fórmula ao que a igreja e o casal desejam. Expliquei como é essa cerimônia em cerimônia de casamento evangélica.
Votos civis ou sem religião
Para uma cerimônia sem religião, os votos tradicionais mantêm a estrutura e tiram as menções religiosas. Uma versão que funciona bem:
Eu, [nome], te recebo, [nome], como minha esposa (meu esposo), diante das pessoas que mais amamos. Prometo ser fiel, te respeitar e cuidar de ti, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da minha vida.
Antes dos votos, eu costumo fazer aos noivos a pergunta de consentimento: "É de sua livre e espontânea vontade casar-se com [nome]?". É o momento do "sim", e ele acontece em qualquer formato de cerimônia.
Um cuidado: a cerimônia sem religião não ganha efeito civil pelo caminho do religioso, que exige um ministro religioso. Quando a cerimônia é religiosa e o casal quer que ela valha no civil, o caminho está em casamento religioso com efeito civil.
Quando usar os votos tradicionais?
Os votos tradicionais são a melhor escolha quando o casal quer o peso da tradição, é tímido para falar em público ou prefere uma cerimônia mais solene. Na prática, eles funcionam muito bem para:
- Quem trava diante de uma plateia. Repetir frases curtas é muito mais tranquilo do que ler um texto longo.
- Famílias que valorizam a tradição. Os avós reconhecem as palavras e se emocionam com elas.
- Cerimônias religiosas mais formais, em que a fórmula faz parte do rito.
- Casais que querem dizer o essencial sem se expor tanto.
- Renovação de votos, em que repetir as mesmas palavras de anos atrás tem um peso enorme.
Já os votos pessoais são para quem quer contar a própria história em voz alta. Não existe opção certa; existe a que combina com vocês.
Como misturar votos tradicionais com votos pessoais
Dá para misturar os votos tradicionais com os pessoais de três jeitos, e todos funcionam bem dentro da cerimônia:
- Pessoal primeiro, tradicional depois. Cada um lê os seus votos e, em seguida, os dois repetem juntos a fórmula tradicional. É o formato mais completo e o que mais emociona.
- Tradicional nos votos, pessoal nas alianças. O juramento é repetido na hora dos votos, e uma frase pessoal curta acompanha a entrega da aliança.
- Tradicional com uma frase sua no meio. Vocês mantêm a fórmula e acrescentam uma promessa que é só de vocês.
Um exemplo do terceiro jeito, escrito por inteiro:
Eu, [nome], te recebo como meu esposo. Prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Prometo continuar rindo com você das coisas pequenas e segurar a sua mão nas grandes. E prometo isso todos os dias da minha vida.
Se quiserem escrever votos pessoais do zero, reuni as cinco dicas que dou aos noivos e oito modelos originais em como escrever os votos de casamento.
Repetir ou ler: como dizer os votos tradicionais no altar
O jeito mais comum de dizer os votos tradicionais é repetir: o celebrante diz o juramento em pedaços curtos e cada noivo repete, olhando para o outro. Ninguém precisa decorar nada, e a voz não falha no meio de uma frase longa.
Algumas orientações para esse momento:
- Olhem um para o outro, não para o celebrante. Ele fala baixo para vocês; vocês falam para o outro.
- Não tenham pressa. Repitam no ritmo de vocês; o celebrante espera.
- Segurem as mãos. Ajuda a firmar a voz e fica lindo nas fotos.
- Se errar uma palavra, siga em frente. Ninguém está conferindo o texto.
Se a fé faz parte da história de vocês, um versículo antes do juramento prepara o momento. Separei os mais usados em versículos para usar nos votos. E para ver em que ponto da cerimônia os votos entram, confiram a sequência da cerimônia, do começo ao fim.
Palavras antigas, compromisso de vocês
O juramento tradicional atravessou séculos porque diz o essencial em poucas palavras. Mas, no dia do casamento de vocês, ele deixa de ser um texto antigo e passa a ser a promessa de duas pessoas que se escolheram.
Quando disserem "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença", digam devagar. Essas palavras vão pavimentar o caminho que vocês vão trilhar daqui para frente. Se quiserem que eu conduza esse momento, conheçam como eu celebro a cerimônia.
Perguntas frequentes
Qual é o juramento de casamento mais conhecido?
É o que diz: “eu te recebo como meu esposo (ou minha esposa) e prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da minha vida”. Existem pequenas variações entre igrejas e celebrantes.
“Até que a morte nos separe” faz parte dos votos?
Faz parte de algumas versões, sobretudo as inspiradas na tradição de língua inglesa. Outras fecham com “todos os dias da minha vida”, que diz o mesmo de forma mais suave.
Os noivos precisam decorar os votos tradicionais?
Não. O mais comum é o celebrante dizer o juramento em frases curtas e cada noivo repetir. Assim ninguém precisa decorar nada e o momento flui sem tensão.
Dá para fazer votos tradicionais numa cerimônia sem religião?
Dá. Basta tirar as menções a Deus e manter a promessa de fidelidade, respeito e cuidado “na alegria e na tristeza”. A estrutura continua a mesma.
Os votos tradicionais são obrigatórios para o casamento valer no civil?
Não. Os votos são uma escolha do casal. O efeito civil depende da habilitação feita no cartório, e é o cartório que confirma o que a cerimônia precisa ter.
Quem escreve
Daniel Sampaio
Pastor ordenado e psicólogo, celebrante de casamentos em Brasília. Já celebrou mais de 200 casamentos, com ou sem efeito civil, e escreve cada cerimônia a partir da história do casal.
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